quando era mais novo, h̶a̶v̶i̶a̶ ̶u̶m̶a̶ ̶c̶o̶i̶s̶a̶ ̶m̶u̶i̶t̶o̶ ̶b̶o̶n̶i̶t̶a̶ ̶q̶u̶e̶ ̶e̶r̶a̶ ̶a̶ ̶s̶e̶d̶u̶ç̶ã̶o̶ o meu pai costumava tentar mostrar-me boa música. lembro-me que, quando ia buscar-me à escola, punha a tocar no carro os cd de jazz que sacava da net, enquanto me dizia, parafraseando o fernando jorge, “isto é que é boa música”.
na altura era um teenager inconsciente, adolescente irreverente com vontade de ser diferente e meio que torcia o nariz quando ele punha a tocar os discos de jazz dele. naquela altura eu queria era ouvir as músicas do momento, que as rádios da moda passavam, e o jazz parecia-me – perdoem-me, reconheço agora, a blasfémia – uma amálgama de sons de que eu não conseguia ainda destrinçar, habituado que estava ao (ainda maior) ruído da música que na altura ouvia – que ia do punk-rock ao emo, sem esquecer o techno, o house e o hip-hop – que servia de banda sonora aos meus primeiros passos de dança no início dos anos dois mil.
apesar de conseguir apreciar alguma coisa, sempre foi um estilo de música com que rapidamente me aborrecia, por isso nunca lhe prestei grande atenção. mais recentemente, houve quem me tenha mostrado o quão bom o jazz é. e, apesar de não acreditarem que prestei mais atenção do que pensam, aprendi, nos últimos tempos, a apreciar jazz.
continuo a aprender a apreciar.
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