Critica por favor o meu elevado ego

18/11/2025

borboleta

ali nasceu uma borboleta
descasulou
e deu-me os meus sonhos

nos meus sonhos nasceu uma borboleta
sem sonhar que podia
voar livre

ali quase voou uma borboleta
recusou-se a voar
e deixou-se ficar com medo de cair

ali morreu uma borboleta
despenhou-se
com os meus sonhos

:: paredes de coura, doze de agosto de dois mil e vinte e cinco

João Oliveira @ 21:30 // versos

24/06/2025

com o brunch na mesa

aguardo
pacientemente
pelo dia em que chegues,
inteira,
para ficar

por isso,
anda só passar a noite

e amanhã,
com o brunch na mesa,
vamos tentar perceber
como passar

o
resto
da
vida

:: dez de junho de dois mil e cinco

João Oliveira @ 23:00 // versos

17/09/2024

“don’t name names”

nunca mais é dia 1 de outubro. digo eu. pois. também estou mesmo a precisar. estou nas lonas. diz ela. se achas isso grave, imagina ter gastado os dados móveis a dia 20. digo eu. és um anormal. diz ela. concordei.

:: 28 de setembro de 2021, 10h37

e tu, a centenas de quilómetros de distância, sem saberes que eras já o único a lutar por aquela relação.

João Oliveira @ 00:01 // apontamento

12/04/2024

é preciso treino para seres bom

quando era mais novo, h̶a̶v̶i̶a̶ ̶u̶m̶a̶ ̶c̶o̶i̶s̶a̶ ̶m̶u̶i̶t̶o̶ ̶b̶o̶n̶i̶t̶a̶ ̶q̶u̶e̶ ̶e̶r̶a̶ ̶a̶ ̶s̶e̶d̶u̶ç̶ã̶o̶  o meu pai costumava tentar mostrar-me boa música. lembro-me que, quando ia buscar-me à escola, punha a tocar no carro os cd de jazz que sacava da net, enquanto me dizia, parafraseando o fernando jorge, “isto é que é boa música”.

na altura era um teenager inconsciente, adolescente irreverente com vontade de ser diferente e meio que torcia o nariz quando ele punha a tocar os discos de jazz dele. naquela altura eu queria era ouvir as músicas do momento, que as rádios da moda passavam, e o jazz parecia-me – perdoem-me, reconheço agora, a blasfémia – uma amálgama de sons de que eu não conseguia ainda destrinçar, habituado que estava ao (ainda maior) ruído da música que na altura ouvia – que ia do punk-rock ao emo, sem esquecer o techno, o house e o hip-hop – que servia de banda sonora aos meus primeiros passos de dança no início dos anos dois mil.

apesar de conseguir apreciar alguma coisa, sempre foi um estilo de música com que rapidamente me aborrecia, por isso nunca lhe prestei grande atenção. mais recentemente, houve quem me tenha mostrado o quão bom o jazz é. e, apesar de não acreditarem que prestei mais atenção do que pensam, aprendi, nos últimos tempos, a apreciar jazz.

continuo a aprender a apreciar.

(ler mais…)

João Oliveira @ 14:30 // manifesto

16/06/2023

apaixonei-me na feira do livro

apaixonei-me
na feira do livro

ela de vestido preto
leve como o passo
as all stars apertadas
em torno do tornozelo
e o código processo administrativo
debaixo do braço

eu com a minha paixão
completamente desarmado

num amor que nasceu
viveu
e morreu

em vão

João Oliveira @ 01:23 // versos

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