Critica por favor o meu elevado ego

26/03/2020

não

poesia — João Oliveira

tu não és a tua idade
nem o tamanho da roupa que vestes
tu não és o teu peso
nem a cor do teu cabelo
não és o teu nome
ou as covinhas que tens na cara
és os livros que lês
e todas as palavras que falas,
és a tua voz estremunhada pela manhã
e todos os sorrisos que tentas ocultar
és a doçura no teu riso
e todas as lágrimas que já choraste
és as canções que cantas em voz alta
quando sabes que estás sozinha
és todos os sítios onde já estiveste
e aquele a que chamas de lar
és as coisas em que acreditas
e as pessoas que amas
és as fotos nas paredes do teu quarto
e o futuro com que sonhas
és feita de tanta beleza
mas parece que te esqueceste disso
quando decidiste definir-te
por tudo aquilo que tu não és.

:: tradução livre do poema not, de erin hansen

21/03/2020

amor em tempos de pandemia (1)

apontamento — João Oliveira

“se sobrevivermos a isto, casamos”, disse-me ela ao ouvido, num sussurro que me percorreu espinha abaixo e me deixou de sorriso rasgado na cara.

09/03/2020

cada vez mais

poesia — João Oliveira

quando ela se deixa adormecer
no aconchego do meu peito
de mãozinha fechada sobre a boca
e respirar compassado com o sono
sinto-me o homem mais forte do mundo
realizado
completo
uno

capaz de enfrentar o mundo
e protegê-la de todo e qualquer mal
apagar-lhe os traumas do passado
e despachar a bagagem emocional
a minha e a dela
para juntos seguirmos viagem
em direcção a um futuro em conjunto
longe daqui

aperto-a forte
quando lhe sobressalta o sono
beijo-lhe a fronte
e arrumo-lhe atrás da orelha
aquela madeixa de cabelo
que teima em cair-lhe sobre a face

sinto-a segura
entregue e sem receios
no calor do meu abraço

deixo-me então adormecer
sorriso parvo na cara
a alma descansada

e a certeza
de
um
amanhã
cada vez mais
risonho

18/02/2020

secretamente

poesia — João Oliveira

ela diz-me que não quer que vá embora
com a voz cheia de mimo
e o meu coração por dentro derrete
no aperto do abraço dela
aconchego-a no meu regaço
fico a vê-la adormecer
e começo a contar
secretamente
os dias que faltam para regressar

28/01/2020

A promessa

música — João Oliveira

I’m sorry, but I’m just thinking of the right words to say
I know they don’t sound the way I planned them to be
But if you wait around a while, I’ll make you fall for me
I promise, I promise you

I’m sorry, but I’m just thinking of the right words to say
I know they don’t sound the way I planned them to be
And if I had to walk the world, I’d make you fall for me
I promise you, I promise you I will

I will
I will

(ler mais…)

23/01/2020

Estragado

manifesto — João Oliveira

Foi apenas aos 31 anos que soube o que era alguém terminar uma relação comigo. Cara a cara, em pessoa, com coragem, de forma mais ou menos humana. Até então foram relações atrás de relações que acabaram em traição ou votadas ao silêncio e ao abandono. Uma ou outra uma mensagem de despedida, impessoal e vazia de sentimento.

Quando finalmente aconteceu, em Novembro de 2018, demorei alguns dias a identificar aquilo que na altura não sabia o que era: um ligeiro ataque de pânico.

O coração a bater mais rápido, na expectativa, eu a debater-me para controlar a respiração e não hiperventilar, sem que deixasse transparecer o que estava a acontecer nas minhas entranhas. Sentia o coração na boca e fazia de tudo para escondê-lo.

(ler mais…)

14/01/2020

Novamente

poesia — João Oliveira

Às vezes

Ter o mundo
ao contrário
não basta para ficar

Mas depois

Ela deixa-se
adormecer
nos meus braços

Indefesa

Agarra-me
em sobressalto
quando os sonhos são sombrios

Beijo-lhe a fronte
aconchego-a

E entrego-a novamente
à serenidade de quem passa
pela vida a cantar

E o mundo
torna a girar
e a fazer sentido

Novamente

07/01/2020

Novo ano

poesia — João Oliveira

A porta bateu
mas desta vez não fui atrás

Tu és o sítio onde quero estar
e onde eu irei sempre regressar

estejamos
onde
estivermos.

:: Lisboa, 3 de Janeiro de 2020

19/09/2019

Capítulo último

manifesto — João Oliveira

nessa noite, chegou a casa, cansado. havia muito tempo que não saía assim do trabalho, completamente de rastos, a querer apenas estar horas no duche, a levar com a água quente no corpo dorido, enfiar-se debaixo dos lençóis e dormir até o despertador o acordar, sobressaltado, de manhã.

no momento em que ia a colocar a chave na fechadura, lembrou-se da discussão dessa manhã e o que o esperava do outro lado da porta. respirou fundo, com a chave ainda suspensa no ar, rodou a fechadura e entrou, decidido a enfrentar a fúria da sara.

(ler mais…)

07/04/2018

destino

música,poesia,vídeo — João Oliveira

a vida é

o sítío onde estamos
e o sítio onde queremos estar

no entretanto
a luta diária para lá chegar

(ler mais…)

« página anteriorpróxima página »