Critica por favor o meu elevado ego

27/01/2021

desculpa

manifesto — João Oliveira @ 01:24

ontem sonhei contigo. estavas à porta da escola, à minha espera, de lágrimas nos olhos, como que a adivinhar aquilo que ainda não tive coragem de dizer-te.

não vou poder cumprir a promessa que te fiz.

desculpa, avô.

09/01/2021

hello darkness, my old friend

manifesto — João Oliveira @ 18:28

não durmo há mais de três dias. dói-me o corpo, a suplicar-me por descanso, e luto contra a exaustão com as poucas armas que o café e alguns estupefacientes me dão, porque aguentar estoicamente acordado, com os olhos a arder e o corpo a latejar, é o que me mantém longe dos pesadelos que me aterrorizam as noites. não quero voltar a adormecer.

onde é que nos refugiamos quando o sono não nos deixa descansar?

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01/07/2020

sacana (2)

manifesto — João Oliveira @ 00:01

a minha mãe contou-me, há uns anos, que o meu avô tinha guardado alguma mágoa por eu nunca ter escolhido o apelido dele para o meu nome profissional na carteira de jornalista. escolhi os meus dois nomes próprios e o apelido do meu pai, mas a verdade é que poderia ter escolhido o meu primeiro nome e os apelidos da minha mãe e do meu pai. na altura não me lembrei disso, não pensei nisso, mas andei estes anos todos a remoer e a matutar no assunto.

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20/06/2020

capítulo primeiro

manifesto — João Oliveira @ 00:03

era sábado à tarde. sim, foi definitivamente a um sábado à tarde. como poderia esquecer aquele sábado à tarde? a ressaca com que acordou adormeceu-lhe a alma e o espírito e ele não conseguiu perceber logo à primeira o que ela estava a dizer-lhe havia quase meia hora.

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01/06/2020

sacana (1)

manifesto — João Oliveira @ 16:32

o meu avô morreu
e o sacana agora sou eu

21/05/2020

palavras (3)

poesia — João Oliveira @ 00:18

todos os dias escrevo para ti
na fútil tentativa de encontrar palavras
– se não as palavras
pelo menos algumas palavras –
para que saibas o que tenho para dizer-te
e o quanto gosto de ti

faço uns rabiscos na minha cabeça
confiante de que me lembrarei deles mais tarde
quando tiver à minha frente
um pedaço de papel e caneta

mas essas palavras fogem-me
como fogem todas as outras
aquelas que
porventura
seriam as palavras certas

e o que fica
senão a frustração de não conseguir escrever-te
alguma coisa de jeito?

palavras que não soem a ridículo
palavras que não ecoem na minha cabeça
palavras que preencham o vazio dos meus sonhos

ficas apenas tu
e os rascunhos do que te fui escrevendo
amarrotados
no fundo da minha mente
esquecidos

as palavras a serem arrancadas da alma
a caneta na mão direita
e o coração a fitar-me
em tom de gozo

30/04/2020

daqui por vinte anos

ensaio — João Oliveira @ 00:00

daqui por vinte anos, quero estar a contar aos nossos filhos como foi o nosso primeiro encontro. a história toda: como me deste uma tampa da primeira vez que te convidei para sair, como te fazia rir com as minhas tiradas tão cheesy e tão pirosas ou como aquele concerto dos ornatos violeta, numa noite em que mercúrio tinha acabado de entrar em retrógrado, foi o ponto de partida para uma vida em conjunto.

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12/04/2020

joana

manifesto — João Oliveira @ 22:44

a madrugada do dia 1 de janeiro de 2006 foi a primeira vez que disse “amo-te” a alguém. nessa noite, adormecemos lado a lado, embriagados e cada um enfiado no seu saco-cama, no canto de uma sala de uma qualquer moradia no meio do campo nos arredores de coimbra.

olhando em retrospectiva, parece-me óbvio que a não amasse. não creio mesmo que a i. acredite, ou tenha acreditado muito na altura, que eu realmente a amava. era jovem, dezanove anos acabadinhos de fazer, na ânsia de querer ter alguém a meu lado e a quem dizer que a amava.

mas a verdade é que, até à noite de 23 de fevereiro de 2020, foi a única pessoa a quem alguma vez tinha dito “amo-te”.

é, talvez, a única palavra de que tenho mesmo medo, mas que tenho aprendido a usar.

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26/03/2020

não

poesia — João Oliveira @ 03:11

tu não és a tua idade
nem o tamanho da roupa que vestes
tu não és o teu peso
nem a cor do teu cabelo
não és o teu nome
ou as covinhas que tens na cara
és os livros que lês
e todas as palavras que falas,
és a tua voz estremunhada pela manhã
e todos os sorrisos que tentas ocultar
és a doçura no teu riso
e todas as lágrimas que já choraste
és as canções que cantas em voz alta
quando sabes que estás sozinha
és todos os sítios onde já estiveste
e aquele a que chamas de lar
és as coisas em que acreditas
e as pessoas que amas
és as fotos nas paredes do teu quarto
e o futuro com que sonhas
és feita de tanta beleza
mas parece que te esqueceste disso
quando decidiste definir-te
por tudo aquilo que tu não és.

:: tradução livre do poema not, de erin hansen

21/03/2020

amor em tempos de pandemia (1)

apontamento — João Oliveira @ 19:07

“se sobrevivermos a isto, casamos”, disse-me ela ao ouvido, num sussurro que me percorreu espinha abaixo e me deixou de sorriso rasgado na cara.

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