Critica por favor o meu elevado ego

14/08/2013

apontamento (5)

apontamento, ensaio, exercício, prosa — João Oliveira @ 08:48

lembras-te, quando voltei de férias, de ter ido dar-te um beijo na bochecha, tu viraste a cara e eu acabei por morder-te o queixo? ainda pensei em beijar-te o lábio.


07/06/2013

inconfissões

ensaio, exercício, poesia — João Oliveira @ 00:35

há um sentimento que não confesso
mas tu adivinhas
e sabes

perguntas que queimam a língua
mas que guardo para mim

arranham a garganta
perturbam a mente
corrompem a alma
espetam fundo o coração

e és como o vinho

sobes à cabeça
soltas as perguntas
aclaras a voz
acalmas a mente

aqueces o corpo
o coração
e renovas a alma

mas
se abuso
gosto
demasiado
e caio


22/05/2013

horas rotineiras

ensaio, prosa — João Oliveira @ 15:19

no início puxavas por mim, no encanto que o desejo pela mútua descoberta despertava em nós. eu tentava compreender-te até ao mais ínfimo detalhe e tu querias saber se eu seria mesmo capaz de alguma vez desvendar todos os teus segredos.

eras tu o motivo por que acordava todos os dias de manhã, tal era a ânsia de passar o meu tempo contigo. fazias-me correr para ti e o tempo até poder estar novamente contigo passava tão devagar que o nervoso miudinho tomava conta de mim, como um agarrado a ressacar por mais uma dose.

mas o tempo passou e ao fim de dois meses há muito pouco em ti que me cativa e me mantém interessado. deixámos morrer a paixão que em mim despertavas e desde então nada mais foi o mesmo. já não há o desafio e torna-se penoso até estar no mesmo espaço contigo.

o dia caiu numa hora rotineira seguido de outra hora rotineira, num ciclo vicioso, até todas as horas rotineiras se tornarem numa coisa desinteressante, um marasmo e um vazio que nada parece conseguir preencher.

não quero pensar em deixar-te, porque sabes que eu não consigo viver sem ti. mas temos de arranjar maneira de ressuscitar o romance que uma vez me fez sentir mais vivo do que nunca.


26/12/2012

das escolhas

ensaio, prosa, vídeo — João Oliveira @ 00:21

imagina que estavas algures no limiar da criação desta grande aventura que é a vida — quando tudo foi criado, há muitos biliões de anos — e tinhas a possibilidade de escolher se querias viver neste planeta.

sabias que viverias poucos anos, mas desconhecias quando e durante quanto tempo existirias. se escolhesses vir ao mundo, chegado o momento oportuno, terias de desligar-te e deixar tudo atrás de ti.

que farias tu, se um poder superior te permitisse escolher?

terias escolhido viver na Terra, fosse por pouco ou por muito tempo, daí a cem mil ou cem milhões de anos?
ou terias recusado participar neste jogo, por não aceitares as regras?

nós vimos à terra apenas uma vez. participamos na aventura da vida e desaparecemos dela pouco depois.

vou perguntar-te de novo: o que terias escolhido? terias optado por uma passagem breve pela terra, abandonando-a uns anos depois, para sempre; ou terias recusado a oferta logo à partida?

tens apenas estas duas alternativas. são estas as regras: se escolheres a vida, escolhes também a morte.

adaptado de a rapariga das laranjas
jostein gaarder

(continuar a ler)


04/11/2012

exercício (2)

ensaio, exercício, poesia — João Oliveira @ 02:23

a cidade está deserta
mas alguém apagou os sinais
que me levavam de volta a casa
para junto de ti, de mim, de nós
em todo o lado a tua ausência que me grita
ora violenta, ora demente
para me lembrar que tu não voltas
antes de chegar o fim de tudo


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