“não se ama alguém que não…”
se sempre ouvimos as mesmas canções, sempre cantámos os mesmo versos, se tudo que estava escrito sempre traduziu o que sentíamos… por que razão estamos hoje tão afastados como no dia em que nos conhecemos?
há semanas que esta pergunta me queima a língua e é um sufoco na garganta. mas a verdade é que ao mesmo tempo deixou de ter sentido algum. se assim estamos foi porque assim o escolheste uma vez mais. e eu não vou cá estar para recolher os cacos de mais um desastre à beira de acontecer.
nunca de ti ouvi um “estás bem?” e sabe deus como teria ajudado e sabido bem que o tivesses dito. afastei-te numa noite em que estava fora de mim? era teu dever insistir como sempre fiz contigo até acabares por ceder e falar comigo.
disse-te uma vez que podia ser o teu melhor amigo ou o teu melhor amante mas que essa decisão não cabia a mim tomar. hoje percebo que apenas queres um melhor amigo sem teres de dar muito em troca.
mas eu não funciono assim, lamento. por isso acredito que o papel que tínhamos a desempenhar na vida um do outro já está mais do que cumprido. eu sei que o meu está.
só levo comigo o lamento de não ter visto este dia chegar mais cedo. ou de o ter visto chegar cedo demais. esse e o de ter-te dado sempre mais do que recebi de ti. mas essa é uma sina que irá perseguir-me até ao final dos meus dias.