Critica por favor o meu elevado ego

16/09/2018

xis (2)

poesia — João Oliveira @ 17:50

Ainda há noites em que sonho com ela
Lembro um tempo em que a vida me sorria pela janela
E o corpo dói e o coração lateja
A alma sem norte ou rumo ou o que seja
Mas pelos vistos para ela um homem com agá grande não chegava
E eu ainda não sabia mas a cada dia que passava
Era cada vez mais certo que eu a amava
Uma inevitabilidade que o tempo só adiava

Ela ainda assombra os meus pensamentos
Está presente em tudo o que faço
e segue todos os meus movimentos
Ela traz uma tempestade de sentimentos
enquanto me faz tropeçar nos meus passos desalinhados
E por vezes só quero cair, perder-me no espaço
Render-me prostrado a estes pressentimentos
Afogar-me neste mar de ressentimentos

Quem sou eu quando venho ver-te?
Não sou ninguém
Deixaste-me assim, desfeito, destroçado
Partido, quebrado
Derrotado pela dor de perder-te
Não sou ninguém

Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti

Quando entro em casa e tu já não estás
Tu já foste embora, só me resta olhar para trás
E eu não cheguei a tempo de dizer-te não vás
Tento reerguer-me mas não tenho a certeza se sou capaz
O silêncio ecoa nas paredes da tua ausência
Perdi o norte, o rumo, a referência
É que para sempre já foi há muito tempo
E as saudades tornam-se um tormento

Quem sou eu quando venho ver-te?
Não sou ninguém
Deixaste-me assim, desfeito, destroçado
Partido, quebrado
Derrotado pela dor de perder-te
Não sou ninguém

Não podias ficar presa comigo
à pequena dor que cada um de nós
traz docemente pela mão
a esta dor portuguesa
tão mansa quase vegetal


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um comentário to “xis (2)”

  1. Sara Ribeiro Says:

    “Para sempre já foi há muito tempo”… como é fácil a ilusão de um para sempre que se estrilha num nunca mais…

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