Critica por favor o meu elevado ego

13/10/2016

xis (3)

manifesto — João Oliveira @ 02:49

Ao fim de quase sete meses e mais de 60 revisões, acho que posso dar o texto que mais me custou a escrever nos últimos meses como finalizado. Tive de arrancar cada palavra de dentro de mim como se fosse a última, num exercício de cicatrização e de reconstrução constante, mas que está longe de estar terminado.

Poucos são os que conhecem esta história, menos ainda os que quiseram conhecê-la ao longo dos últimos meses.

Há uma célebre citação atribuída a Winston Churchill (jogo pelo seguro e escrevo que lhe é atribuída, porque não sei de todo se é mesmo dele ou não) de que gosto muito e que reza assim: If you’re going through hell, keep going. É isso que tenho feito nos últimos meses, anos até.

É uma caminhada que, estóico, tenho feito sozinho. Só assim faria sentido.

Alguém que já considerei minha amiga disse-me, um dia, que os meus textos, naquela altura, falavam praticamente do mesmo. Sem deixar que lhe respondesse, a M. respondeu à sua própria observação: Compreendo. Tens de purgar esse sentimento de dentro de ti. Só depois disso serás completamente livre.

Este texto, que não publico hoje porque quero lê-lo, de manhã, com a pesada sobriedade da luz do dia, é também um pouco disso: uma purga do que tenho guardado cá dentro e que tanto tem custado a sair.

Não fiquei, contudo, completamente livre e foi neste ponto que a M. falhou na sua observação. Nunca se pode ser completamente livre de um amor passado, correspondido ou não, mal resolvido ou não.

Posso não estar completamente livre da xis, mas estou mais livre. E com isso mais leve. E também um pouco mais feliz.

Para já, isso basta-me.


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2 comentários to “xis (3)”

  1. M. Says:

    Eu podia ser a M.
    Provavelmente não sou porque Ms é o que não faltam mas se fosse, se eu fosse a M., defenderia novamente essa intenção. O porquê daria uma carta que talvez venha a purgar. M. ou não tu já não me queres ouvir. Mas bem sabes João, nunca te livrarás. Abraço

  2. João Oliveira Says:

    Curiosamente, ou não, és mesmo a M.. E tens razão, deixei de querer ouvir-te há muito tempo. Se procurares bem dentro de ti, saberás encontrar o porquê.

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