Critica por favor o meu elevado ego

28/05/2021

perspectivas

manifesto — João Oliveira @ 02:30

não há nada como a morte para colocar tudo em perspectiva. quando menos esperas, és confrontado com a tua própria pequenez, relembrado da insignificância da tua existência, da fugacidade da vida. és recordado, uma vez mais, de como tudo deixa de fazer sentido, de um momento para o outro.

e se nada faz sentido, ou se tudo tão depressa perde o sentido, para quê então darmo-nos, sequer, ao trabalho?

se é para andar vazio, ao sabor dos encartes da vida. se não há mais gargalhadas, mais sorrisos e abraços, mais beijos e mimos trocados. se tudo o que resta são as lágrimas que te lavam a face até que sequem.

é que, se é para não ser contigo, não faz sentido. não vale a pena. e, assim, aqui permaneço. sem vontade, sem reagir a nada.

isto não é viver, é apenas matar tempo, à espera que o tempo me mate. resignado, só à espera que o tempo passe, que tu regresses, que isto passe. que tudo não passou de um sonho quando eu acordasse.

ou que chegue simplesmente o fim.

enfim.

‘tou a dançar e ‘tou a pensar em ti
a vida está a passar, eu estou a passar-me aqui
oxalá que as carpideiras não cantem p’a mim
espero que eles batam na madeira quando pensarem em mim

(…)

passo a vida a ver cruzeiros a passar aqui
passo o dia a ver o mundo inteiro passar por mim
não há futuro no estaleiro, nada a construir
faço tudo por dinheiro para gastar contigo
‘tamos a caminhar em telhas que se vão partir
para quê lavar o chão se a casa ‘tá a cair?

deixar um comentário