Critica por favor o meu elevado ego

18/04/2014

O que queres?

manifesto — João Oliveira @ 00:25

Há muito tempo que não perdia assim o controlo. Há muito que não ficava sem a razão, os sentimentos e os sentidos. Não costuma acontecer muito frequentemente, tento sempre manter a compostura mesmo que por dentro o meu mundo se desmorone e tudo em meu redor se desfaça em ruínas, correndo muitas vezes o risco de ser apelidado de antipático, seco ou arrogante. É um preço que pago de bom grado por uma tentativa de estabilidade emocional para mim e para os meus.

Mas o teu toque, inesperado, tanto tempo depois, levou-me a perder o controlo. Perdi a noção do que me rodeava, com quem estava e mergulhei num estado onde pensava não ser possível regressar tão cedo. Uma espiral de negativismo, um turbilhão de sentimentos que pensei ter enterrado bem fundo. Definitivamente.

É que nunca percebi — nem tu alguma vez quiseste explicar-me — o porquê de me teres deixado sem uma palavra. Procurei e procurei e procurei por uma resposta, mas não encontrei. Procurei-te, procurei dentro de mim quando não quiseste dar-me as respostas que procurava, talvez o mal estivesse em mim. Não está.

Até hoje continuo sem essas respostas, mas pelo caminho decidi deixar isso para trás e não dar importância a alguém que não queria, definitivamente, fazer parte da minha vida. Já não quero saber. Aprendi, da pior maneira, que há pessoas que entram na nossa vida não para ficar mas sim para nos ensinar uma lição.

Nunca pensei que coubesses na segunda categoria, sempre achei que fosses maior do que isso.

Regressando a essa noite, dei por mim aos murros à parede. Acontece. No mesmo sítio onde nos conhecemos, onde passámos alguns dos melhores momentos sob o céu estrelado dessa Coimbra que eu tanto amo. De tanto sítio onde poderia acontecer essa espécie de reencontro, tinha de ser ali. Acariciaste-me o cabelo na nuca, onde sabes que começam os arrepios que me percorrem a espinha. Como se nada se tivesse passado e a última vez que tínhamos falado tivesse sido umas horas antes ou no dia anterior.

Virei-me lentamente, completamente arrepiado. Quase petrificado. Fiquei a olhar para ti, mudo, sem dizer uma palavra, a tentar perceber. Tinha passado mais de um ano. Chamaste o meu nome uma, duas vezes. Continuei sem dizer nada. Mas apeteceu-me gritar tudo o que tenho guardado cá dentro. Não sei se valeria a pena. Virei-me para o André e disse-lhe: “Anda, preciso de ir beber”.

Fomos. Depois de ter perdido a razão, os sentimentos e os sentidos, só faltava perder também a consciência. Acordei no dia seguinte com a cabeça a latejar, a mão dorida e ainda em ferida, os lençóis sujos de sangue. Mas estava de espírito apaziguado. Há muito que tranquilizei a minha consciência.

De vez em quando dou por mim a pensar nessa noite, nem há uma semana foi, e vêm-me à cabeça as palavras que devia ter dito, mas preferi calar. “O que queres?” Acho que nunca vou saber. Também não preciso. Já não quero. Entraste na minha vida, ficaste o tempo necessário para me cativar e só eu sei o quanto gostei de ti e o que dei por ti.

Não foste a primeira nem vais ser a última a partir-me o coração. Foste apenas mais uma que entrou na minha vida e me deixou quase sem pestanejar. Se tudo tinha para dar certo, tudo aconteceu da forma errada.

Irónico as voltas que a vida dá, não é?


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um comentário to “O que queres?”

  1. Catarina Rebelo Says:

    Boa noite..
    Nem sei bem por onde comecar.. Estava aqui a espera do sono e pensei em escrever no meu blog, mas ao inves disso, decidi procurar por outros blogs parecidos com o meu.. Quando iniciei a busca Tinha a esperanca de encontrar descritos certos desesperos que nao poderia ser so eu a senti los..
    queria ve los..queria sentir o seu exagero e comparar com o meu.. Ate que encontrei o seu blog..
    Sei que muitas das vezes se escreve pelo desabafo..
    E muito dificil estar constantemente equilibrado e escrever e uma forma de ultrapassar.. O que esta dito esta dito.. Nao se pensa mais nisso ( menor parte das vezes)..
    Mas tambem sei que parte de nos tem esta mesma curiosidade que tive hoje.. “Sera que ha alguem que sinta o mesmo? “.. E foi por isso que decidi deixar lhe esta mensagem.. Ja me senti como se sentiu.. A historia nao e a mesma com certeza mas as questoes sao.. So fiquei surpreendida porque muito daquilo que sente, nao se enquadra consigo… Unica e exclusivamente por ser….. Homem… Enfim.. Todos os dias uma surpresa..

    Bjinhos Catarina

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