Critica por favor o meu elevado ego

08/11/2021

expiação

manifesto — João Oliveira @ 00:57

há pessoas que entram nas nossas vidas para nos mostrarem tudo aquilo que o amor não é. infelizmente, fui muitas vezes essa pessoa. também por isso sempre quis ser melhor. não sou perfeito, tão pouco aspiro a sê-lo. só alguém que não me conhece minimamente pode achar que atravesso a vida erguido num qualquer pedestal. embora não tenha vertigens, sei que a queda será tanto maior quanto mais alto nos colocarmos ou deixarmos que nos coloquem.

quero apenas ser melhor. melhor pessoa. melhor amigo. melhor companheiro. para o bem e para o mal, ainda tenho muito por onde sê-lo.

para o bem porque, se não tentamos ser melhor do que somos, não estamos a crescer. ficamos parados, arriscamo-nos a ver ficar a vida a passar por nós. e para o mal porque, invariavelmente, acabamos por magoar quem mais gostamos.

tentar conciliar a pessoa que fomos com quem somos e com a pessoa que queremos ser é uma luta constante. descobrir o que do passado precisamos de lembrar, perdoar, aprender ou ignorar e o que queremos guardar é impossível de fazer de forma pacífica.

estou, por isso, em conflito permanente comigo próprio. com coragem, sem fugir, nem ter medo de enfrentar emoções e sentimentos, por mais doloroso que o processo possa parecer. nessa tentativa de ser melhor. não ser perfeito. apenas ser melhor do que ontem.

há uns anos, a f. disse-me “é preciso treino para seres bom“. é um pedaço de sabedoria que guardo para a vida e a que frequentemente regresso.

mas não podemos nunca mudar quem somos por mais ninguém senão por nós próprios. é uma questão de amor próprio e sabe deus como os meus níveis têm andado em baixo ultimamente.

podemos deixar que nos apontem falhas ou defeitos ou nos peçam para mudar certos comportamentos. podemos até aceder a fazê-lo. mas se não quisermos, fundamentalmente, fazer essa mudança e aceitar esse que mais não é do que um processo de crescimento, vamos acabar por resvalar para velhos hábitos, que acabam por afastar os que nos são mais queridos, e, com isso, destruir-nos a nós próprios e maltratar os outros.

isto é, mudamos por nós e por aqueles que nos merecem. aqueles que nos querem e que lutam por nós, incansavelmente, porque sabem que podemos e queremos ser melhores. mas que acabam por ser, muitas vezes, aqueles que mais magoamos e decepcionamos.

e é aqui que reside a tragédia.

deixar um comentário