Critica por favor o meu elevado ego

07/02/2017

Do alto do caos

prosa — João Oliveira @ 00:45

Estava, fazia algum tempo, compenetrado no que estava a fazer. Estava tão concentrado que demorou algum tempo a que a voz dela, na divisão ao lado, lhe interrompesse o trabalho.

Pousou a caneta e ficou apenas a ouvir. Estava alegremente a trocar mensagens de voz com a Sofia, a amiga com quem partilhava casa no Dubai e que estava a mais de seis mil quilómetros de distância, um hábito cada vez mais em voga e que ele nunca compreendera por completo.

Ficou, em silêncio, a ouvi-las pela porta semi-entreaberta. Não fora o que estavam a discutir que lhe chamara a atenção. Eram trivialidades da vida de quem partilha um espaço, ainda que separadas, momentaneamente, por milhares de quilómetros. Não. O que o cativara fora a voz da Sofia.

Era uma voz alegre e cheia de vida, contagiante até. Daquelas que faziam surgir o sol por detrás das nuvens num dia chuvoso, como nos filmes. Despertou-lhe a atenção e deixou-o curioso por associar uma cara àquela voz.

Comentou com ela o que sentira enquanto trocavam mensagens de voz e ela, depois de lhe falar da amiga, saiu-se com esta:

– Olha, acho que tu e a Sofia faziam um casal espectacular. Queres que ta apresente?

– Não, deixa lá, respondeu-lhe simplesmente.

Surpreendida pela resposta, insistiu.

– Tens a certeza? Olha que ela é muito fixe e acho mesmo que vocês ficavam bem juntos.

Ele insistiu: A sério, não vale a pena.

– Mas porquê?

Suspirou ao responder-lhe: Com toda a franqueza, não estou onde esperava estar aos 30. E, do alto do caos em que a minha vida está, não vou arrastar ninguém para o meio desta confusão que ainda não consegui deslindar. Não seria justo.

Compreendeu o que ele quis dizer e anuiu silenciosamente, ao mesmo tempo que lhe dava um beijo na testa, orgulhosa ao perceber que, apesar de continuar meio perdido na vida, já não era o miúdo irresponsável que conhecera anos antes.


28/09/2016

Momentos

prosa — João Oliveira @ 00:48

A vida leva tempo. E o tempo não se esgota, antes renova-se, se para isso houver vontade. Não vale a pena correr contra ele ou tentar apressá-lo, cada tempo tem o seu momento.

E os momentos vivem de sentimentos, que esgotam com o tempo ou florescem no momento certo. São os sentimentos que dão a beleza à vida, aquela que muitas vezes não temos tempo para apreciar, e, quando damos por ela, o momento que era certo já passou.

Foi esse o momento.


29/06/2016

Saudade (2)

prosa — João Oliveira @ 02:57

Saudade (2)

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21/10/2015

Os olhos a sorrir (2)

prosa — João Oliveira @ 04:17

Respirou fundo, fechou os olhos e reteve o ar nos pulmões, como se travasse o fumo de um cigarro que só ele via, enquanto se preparava para lhe dizer tudo o que queria dizer. Deixou-se ficar assim por breves instantes, os pensamentos a correr, velozes, na cabeça à medida que tentava colocar alguma ordem neles.

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30/09/2015

A saudade no olhar

prosa — João Oliveira @ 01:30

Ela dizia-lhe que tinha saudades dele, mas a distância que os separava parecia ser mais forte do que a vontade de estar com ele. E ele acreditava como podia.

Ou enquanto podia.

Também ele sentia saudades dela. Era algo que ele deixava que o consumisse, porque havia sempre o dia em que acabaria por saciar-se delas.

Mas esse dia tardava em chegar.

E enquanto não chegava e ia passando um atrás do outro, o verde dos olhos dela ia perdendo a cor na imagem que ele ainda preservava dela, lentamente, até se tornar numa simples recordação, desgastada pelo tempo, pela distância e pela saudade.


24/07/2015

Este é o meu dogma

prosa — Pedro Paixão @ 11:58

Este é o meu dogma (continuar a ler)


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