Critica por favor o meu elevado ego

26/03/2020

não

poesia — João Oliveira @ 03:11

tu não és a tua idade
nem o tamanho da roupa que vestes
tu não és o teu peso
nem a cor do teu cabelo
não és o teu nome
ou as covinhas que tens na cara
és os livros que lês
e todas as palavras que falas,
és a tua voz estremunhada pela manhã
e todos os sorrisos que tentas ocultar
és a doçura no teu riso
e todas as lágrimas que já choraste
és as canções que cantas em voz alta
quando sabes que estás sozinha
és todos os sítios onde já estiveste
e aquele a que chamas de lar
és as coisas em que acreditas
e as pessoas que amas
és as fotos nas paredes do teu quarto
e o futuro com que sonhas
és feita de tanta beleza
mas parece que te esqueceste disso
quando decidiste definir-te
por tudo aquilo que tu não és.

:: tradução livre do poema not, de erin hansen


09/03/2020

cada vez mais

poesia — João Oliveira @ 01:10

quando ela se deixa adormecer
no aconchego do meu peito
de mãozinha fechada sobre a boca
e respirar compassado com o sono
sinto-me o homem mais forte do mundo
realizado
completo
uno

capaz de enfrentar o mundo
e protegê-la de todo e qualquer mal
apagar-lhe os traumas do passado
e despachar a bagagem emocional
a minha e a dela
para juntos seguirmos viagem
em direcção a um futuro em conjunto
longe daqui

aperto-a forte
quando lhe sobressalta o sono
beijo-lhe a fronte
e arrumo-lhe atrás da orelha
aquela madeixa de cabelo
que teima em cair-lhe sobre a face

sinto-a segura
entregue e sem receios
no calor do meu abraço

deixo-me então adormecer
sorriso parvo na cara
a alma descansada

e a certeza
de
um
amanhã
cada vez mais
risonho


18/02/2020

secretamente

poesia — João Oliveira @ 23:41

ela diz-me que não quer que vá embora
com a voz cheia de mimo
e o meu coração por dentro derrete
no aperto do abraço dela
aconchego-a no meu regaço
fico a vê-la adormecer
e começo a contar
secretamente
os dias que faltam para regressar


14/01/2020

Novamente

poesia — João Oliveira @ 19:08

Às vezes

Ter o mundo
ao contrário
não basta para ficar

Mas depois

Ela deixa-se
adormecer
nos meus braços

Indefesa

Agarra-me
em sobressalto
quando os sonhos são sombrios

Beijo-lhe a fronte
aconchego-a

E entrego-a novamente
à serenidade de quem passa
pela vida a cantar

E o mundo
torna a girar
e a fazer sentido

Novamente


07/01/2020

Novo ano

poesia — João Oliveira @ 23:46

A porta bateu
mas desta vez não fui atrás

Tu és o sítio onde quero estar
e onde eu irei sempre regressar

estejamos
onde
estivermos.

:: Lisboa, 3 de Janeiro de 2020


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