Critica por favor o meu elevado ego

16/06/2015

Gosto de ti

manifesto — João Oliveira


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14/03/2015

A inveja e as sombras

manifesto,vídeo — João Oliveira

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16/06/2014

João

manifesto — João Oliveira

Há notícias que chegam assim, de rompante, nem pedem licença. Dão-te um murro no estômago e deixam-te na tua miséria, sem pena nem comiseração.

Nenhum pai merece levar um filho a enterrar. Nenhuma mãe merece levar um filho a enterrar.

O João era um daqueles miúdos traquinas, super reguilas, com uma resposta na ponta da língua para dar sempre que era chamado à atenção. Sempre alegre, irrequieto e à procura da melhor oportunidade para fazer asneiras. Daquelas asneiras inocentes que fazemos quando estamos a crescer. Às vezes dava vontade de ter a idade dele outra vez e ir fazer asneiras com ele.

Eu vi o João a crescer.

A primeira memória que tenho dele é em plena praia do Palheirão, numa actividade regional de escuteiros. Eu teria os meus 19 anos, ele não teria mais de oito ou nove. Era a minha primeira actividade enquanto responsável pelos miúdos.

A meio da tarde, no pico do calor e enquanto todos os outros estavam a fazer workshops de origami e outras coisas que nunca me interessaram nem aos miúdos, peguei em sete ou oito e fomos para o meio do mato. Quatro de cada lado, uma pinha em cada mão e começámos ali a derradeira guerra a jogar ao mata e tentar ver quem era o melhor atirador. Eu tentava não esforçar-me muito e estivemos horas a fio ali, naquela felicidade pura que apenas uma pinha na mão e um alvo a abater conseguiam dar-nos.

Muitos apontar-me-iam a irreponsabilidade que terá sido essa tarde e eu aceitaria essa crítica de bom grado. Mas eu sou da escola — costumo chamar-lhe a velha escola — em que aprendemos com os mais velhos e transmitimos esses ensinamentos aos mais novos. E foi isso que sempre quis fazer com os “meus” miúdos.

Sou do tempo em que íamos para a rua brincar, no meio do pó, em que caíamos ao chão, esfolávamos o joelho e levantávamo-nos logo de seguida, prontos para outra. Lembro-me de ir com chefes para o meio da serra, apenas com mochila, carta topográfica e bússola na mão durante dias e, a meio de um raide, perder horas preciosas de luz em guerras com pinhas, fungos e tudo o que aparecesse à mão.

Cresci assim, essas brincadeiras ajudaram-me a enrijar mais depressa, a ser o homem que vou sendo hoje. E acredito que ele fará parte da última geração que cresceu na rua, longe das consolas e das redomas que hoje em dia se colocam em redor das crianças. E se muito nos divertimos nessa tarde, melhor me senti com o sorriso de felicidade deles no fim do dia. Assim valia a pena.

Só assim valia a pena.

Entretanto ele foi crescendo e a última lembrança que tenho dele já ele era explorador, num acampamento de secção. Fomos para Serpins e lembro-me de ele não querer ajudar desmontar a tenda. Então fui eu ajudá-lo. Enquanto ele estava dentro da tenda, tirámos estacas, ferros e aprumos e deixámo-la cair em cima dele. Depois, quase dez a fazer moche em cima dele. Éramos um agrupamento que gostava de fazer moches. Por tudo e por nada. Tenho fotos desse momento, mas não me lembro onde as guardei. Ficam pois as memórias.

João

Eu vi o João a crescer.

E apesar dos trabalhos em que ele se metia, não trocava nada por isso. Não era como um filho, antes como um sobrinho, um afilhado ou um irmão mais novo que fui vendo a crescer. Ultimamente, ainda que à distância. Ele era um dos “meus” miúdos.

Não fui a sua principal influência e muito menos fui sempre a mais positiva, longe disso. Se muitas vezes quis voltar a ter a idade dele e ir fazer asneiras com ele, várias vezes o fiz. Mas gosto de saber que fiz parte do seu percurso.

E se muitas vezes volto a encontrar alguns desses “meus” miúdos que vi a crescer com uma alegria imensa misturada com a terrível assombração de perceber o quanto eles já cresceram, o João era das pessoas que eu mais gostava de ver.

Agora já não vou ver o João a crescer. O João desapareceu. Fica a memória e fica esse sentimento de que nenhum pai e nenhuma mãe merece levar um filho a enterrar. Nunca.

15/02/2014

reflexos da dança

manifesto,vídeo — João Oliveira

o que é que fazes quando o céu tocar no chão?
será que gritas ou estendes a mão?

foram estes versos que me vieram à mente quando soube da triste notícia do desaparecimento da carolina. não nos conhecemos, mas as palavras e a música têm o dom de encurtar distâncias.

as letras que escreves, a maneira como despejas os sentimentos na tua música, o teu registo vocal, a tua variedade musical… tudo isso me cativou desde que conheci o teu trabalho e em tudo isso me revi de certa forma.

és verdadeiramente um criador de canções.

das tuas músicas para a dança da carolina foram dois ou três cliques mais ou menos certeiros no youtube. da mesma maneira como tu tens um jeito natural para as palavras, a carolina tem-no — sim, tem-no, para sempre nas nossas memórias — para a dança.

a naturalidade com que se move e parece estar em controlo de tudo, mesmo quando estamos à espera de um desequilíbrio ou um passo em falso, prendem qualquer um e eu não sou excepção.

[vimeo clip_id=”113983831″ width=”450″ height=””]

não conheço a tua história com a carolina, mas sei que é uma bonita história de amor que terminou cedo demais.

e agora que o teu céu tocou, com estrondo, no chão, grita tudo o que tiveres a gritar mas lembra-te que podes sempre estender a mão. há sempre alguém que, perto ou longe, ta vai agarrar e ajudar-te a levantar.

19/07/2013

dos palavrões

manifesto,poesia,vídeo — João Oliveira

06/05/2013

diz que é uma espécie de manifesto (2)

manifesto,prosa — João Oliveira

hoje quero falar com o estimado leitor. ou, na gíria, com o estimado. não o leitor que vem ao critica por favor o meu elevado ego — e é sempre mais do que bem-vindo — porque gosta de ler as linhas de parca qualidade que aqui escrevo, antes àquele que vem movido pelo ódio e pela mesquinhez.

o estimado tem várias faces e muitas delas são até conhecidas desta praça. muitos são os que se esmeram por tentar mandar vir, mas não conseguem apontar uma falha que seja. poucos são, aliás, os que ousam ser frontais, apesar do pedido que é reiterado no cabeçalho deste mesmo espaço. porque a verdade é que toda a gente odeia, não suporta e abomina este elevado ego, mas a verdade é que vêm cá todos parar e toda a gente acaba por abrir a boca para deitar cá para fora um chorrilho de impropérios antes que entre mosca.

abençoados ignorantes com tiques de gente superior e cheia de desprezo para distribuir que aqui param que só sabem ler e só sabem ver o que querem ler e o que querem ver. não fora o ódio que os cega e não fariam tanta figura de urso. é preciso ensinar tudo, mostrar tudo, porque a esta gente não se pode pedir demasiado para não se cansarem ou esquecerem como se respira.

falam muito incomodados deste elevado ego como se fosse uma coisa má, focam-se no elevado ego sem perceber — ou sem querer perceber — que antes, mesmo antes, está um por favor que faz toda a diferença. porque falam deste elevado ego como se fosse um enorme filho da puta. mas como é que os filhos da puta com este elevado ego pedem alguma coisa por favor? ainda para mais, uma crítica que seja? é que parar um pouco e usar os dois dedos de testa com que foram abençoados para pensar nunca doeu.

porque este título é mais do que um conjunto de letras e palavras, é algo que já faz parte de mim. não é defeito, é feitio. já aqui foi afirmado que os elevados egos não estão, não podem estar, acima da crítica. só não percebe quem não quer.

04/02/2013

diz que é uma espécie de manifesto (1)

ilustrações,manifesto,prosa — João Oliveira

irritam-me as pessoas.

as que param no meio do caminho quando estou com pressa. aquelas que falam alto no metro, no comboio ou no autocarro. especialmente se estiverem a falar ao telemóvel. e as que ouvem música no altifalante do telemóvel, como se fossem uma discoteca ambulante?

pessoas que usam pontos finais nos títulos do quer que seja. e as que diariamente dão pontapés na língua portuguesa. essas especialmente. que parecem ter um saco cheio de vírgulas e as põem em tudo quanto é sítio excepto no lugar devido. que separam o sujeito do predicado sem o complemento. as que conjugam verbos reflexivos com a partícula “-se” antes da forma verbal.

as que teimam em falar em todas as ocasiões. mesmo quando tudo o que queremos é escutar o silêncio. as que falam porque gostam de ouvir-se falar. e as que falam apenas porque querem ter razão, a qualquer custo.

irritam-me os pretensos elevados egos. e os pretensiosos. os que se acham muito cheios de si. os que não aceitam um reparo que seja. porque os elevados egos não estão, não podem estar, acima da crítica.

as pessoas que abandonam, sem explicação. que assumem responsabilidades sem terem o mínimo de noção no que estão a meter-se. as que magoam, mesmo sem intenção. que não olham além do seu jardim.

irritam-me os sorrisos amarelos. a hipocrisia. principalmente a hipócrita hipocrisia. dos que se mostram muito incomodados com a falsidade dos que os rodeiam mas são os primeiros a espetar uma faca nas costas se for preciso.

as que julgam sem conhecimento de causa. as cobardes. as que olham de lado ou por cima do ombro.

e o cinismo das pessoas. porque há muitas formas de ser cínico. eu próprio sou cínico, na medida em que mando o politicamente correcto à merda se isso significar que continuo verdadeiro comigo próprio e com aqueles que me rodeiam e me são chegados.

if your life had a face i would punch it

16/09/2012

raparigas

manifesto — João Oliveira

raparigas há — vamos chamar-lhes raparigas para manter o decoro — que de um momento para o outro deixam de falar contigo. assim mesmo, do nada. a princípio estranhas, porque não sabes o que fizeste de errado. ou se sequer fizeste. e a verdade é que não fizeste. e ao longo do tempo vais-te acostumando a esse silêncio ao ponto de chegares a nem sentir a falta delas. o trabalho, os amigos, as noites de calor e os copos absorvem-te a mente e nem sequer voltas a pensar nelas.

até que por obra e graça do acaso ou do destino, acabas por descobrir que começaram a namorar. mais ou menos por volta da altura em que deixaram de te falar. isso mesmo. é só fazer as contas.

essas mesmas raparigas, que te olham de lado e te rotulam de mulherengo, cabrão, playboy (a lista quase não acaba), são as mesmas que tentam bater-te o couro mal tenham a oportunidade. quando é que essa oportunidade se apresenta? a partir do momento em que se apanham solteiras.

então decidem libertar todas as suas frustrações sexuais, mentais (estas principalmente) e sentimentais em ti e tu tens duas escolhas: aproveitar para apanhar tudo o que possa vir à rede (e tu sabes que és gajo para isso) ou deixas que a tua integridade suba ao de cima e recusas todos esses avanços, mesmo que para isso tenhas de as magoar. e há pessoas que lidam muito mal com a rejeição.

e ainda há aquelas que procuram a tua companhia apenas para irritar os respectivos. só porque sim, porque lhes apetece. e tu deixas-te ser usado, porque gostas tanto de ver aquelas caras de azia e impotência com que eles ficam.

o que fazer com essas raparigas? continuar nessa brincadeira até que num daqueles dias em que estás sem paciência nenhuma mandas tudo foder? ou fazer isso mesmo, mandá-las foder com todas as letras porque já não tens idade para brincadeiras?

13/06/2011

uma página de história

manifesto — João Oliveira

no já longínquo ano dois mil e quatro conheci uma rapariga que mudou toda a minha vida — literalmente. pode soar a lugar comum mas foi de facto o que aconteceu e gente há que conhece essa página de história.

não sendo esta a ocasião para falar de um relacionamento que consumiu tanto de mim quanto me marcou para o resto da vida, a verdade é que desde muito cedo na vida comecei a sentir a necessidade de extravasar muito do que sentia através das palavras.

desde então tenho registado os melhores e os piores momentos em vários espaços da blogosfera. desde o primeiro escreve com o coração, passando pelo do fundo da alma, o — ironicamente — efémero eternal lover e pelas desconhecid’as páginas rasgadas da minha vida até chegar ao derradeiro critica por favor o meu elevado ego.

têm sido anos e anos de escrita, vários cadernos preenchidos, milhares de linhas percorridas por tinta que me consome e dá vida ao que sinto cada página sempre a penúltima.

e se a blogosfera me permitiu conhecer várias pessoas como eu, que usam as palavras para se expressarem, rapidamente em mim cresceu a vontade de um dia escolher aqueles que considero serem os textos de melhor qualidade — qualidade essa sempre questionável — independentemente da tristeza ou euforia que eu transpunha para o papel e compilá-las em livro.

esta é uma primeira tentativa de fazê-lo. os textos não seguem uma sequência lógica nem temporal. qualquer tentativa de o fazer — de forma lógica — redundaria num exercício quase impossível de resolver. acabei por escolher reunir textos que expressassem de uma forma ou de outra aquilo que estaria a sentir em vários momentos da minha vida.

esta foi a selecção possível. críticas a fazer haverá e é nisso que eu confio — na vossa crítica sempre na tentativa de melhorar a qualidade da escrita, o formato ideal ou as melhores palavras para fazer-vos sentir aquilo por que passo quando sinto a necessidade de escrever.

foi sempre esta necessidade quase compulsiva de escrever que me levou a fazê-lo. ter-vos desse lado apenas tornou esta jornada menos solitária.

a todos vós o meu muito obrigado.

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