Critica por favor o meu elevado ego

15/11/2011

testamento

prosa — João Oliveira @ 22:08

tenho andado a pensar quando foi que te conheci. e a verdade é que não consigo precisar nem localizar no tempo ou no espaço o dia, o momento ou local exactos em que te conheci — e eu costumo ter jeito para estas coisas. tenho apenas alguns momentos — poucos — e episódios gravados.

houve o dia em que me apareceste em casa para ir ter com a minha irmã mas ela não estava e eu fui tomar banho à pressa para irmos dar uma volta e acabei por levar-te à estação de comboios porque infelizmente tinhas de voltar para casa. e eu só sei que nessa altura já gostava tanto de ti que acabámos inevitavelmente por beijar-nos naquela tarde quente de verão.

ainda houve aquela tarde em que jogámos futebol no pavilhão dos bombeiros. eu e o andré numa equipa; tu e a ana na outra. falo-te do andré e da ana porque acho que gostarias de saber que “apadrinhámos” sem saber uma relação que chegou a durar vários anos. mas também sei que esta foi a última vez que estivemos juntos porque depois deste final de tarde de sábado nunca mais ouvi falar de ti.

e isso doeu bastante na altura porque tu não sabes nem fazes ideia do quanto eu gostava de ti. se dúvidas tens, pergunta a ti mesma se conheces muitas maneiras de gostar em que duas pessoas se beijem.

sabes quem mais? pensando bem, acho que foste a primeira rapariga que beijei.

e também não sabes como me custou imenso o teu silêncio naqueles tempos. eu tentava falar contigo e não conseguia. procurava-te e não te encontrava. tinha comprado o meu primeiro telemóvel e o teu foi o primeiro número que alguma vez decorei.

até que do nada voltaste.

e voltaste com o mesmo sorriso de sempre e a mesma energia que sempre me contagiou a mim e a toda a gente à tua volta.

no fundo, voltaste igual a ti própria.

ao fim de todos estes anos continuas a tirar-me as palavras para dizer-te o que quero e preciso dizer e não consigo nem sei como terminar estas escassas linhas que te escrevi.

ficam a faltar palavras — e muitas. fica tanta coisa por escrever e dizer.

mas o essencial é isto: gosto de ti. ainda e sempre, como sempre gostei. porque há sempre aquele carinho pelas pessoas de quem se gostou um dia.


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