Critica por favor o meu elevado ego

29/09/2012

ridículo seria não responder-te

prosa — João Oliveira @ 23:44

li e reli o que me escreveste vezes sem fim, talvez mais do que aquelas que hesitaste em enviar-me aquele texto. já te disse que não é de todo ridículo escrever este tipo de textos. fazem bem à alma, servem como que uma purga daquilo que queremos que saia mas que se recusa a sair.

porque o li tantas vezes e, ainda assim, demorei tanto tempo a responder-te? porque queria ter a certeza de ter percebido bem o que me querias dizer e, acima de tudo, o que queria responder-te. e, a avaliar pela quantidade de vírgulas que já aqui inscrevi, a coisa saiu bem ponderada. acredita.

não acredito que gostes de mim. aliás, acredito que assim acredites. mas tu não gostas de mim. tu própria te perguntas como é possível gostar de alguém que nunca conhecemos. não é. não gostas. não assim.

desculpa ser tão cru, directo e sincero, mas não sei ser de outra maneira.

porque digo que não gostas de mim? pela mesma razão que digo que não gosto de ti. eu conheço-te pelo que escreves. já li uma prosa tua que achavas ser ridícula, apesar de eu pensar e te ter dito o contrário.

nessa tua prosa, descreveste momentos, situações e reacções do teu dia-a-dia que me cativaram imenso para quem tu és. vi-me espelhado em muito do que escreveste, das reacções que ias tendo a episódios do teu dia-a-dia, mesmo não sendo eu o destinatário de tal missiva. e achei que também eu gostava de ti.

mas isso não é verdade, não pode ser verdade.

porquê? porque eu criei, tal como tu fizeste comigo, uma imagem tua à minha medida com o pouco que conhecia de ti e fui como que afeiçoando-me a ela. ou à ideia que tinha dela. e o mesmo aconteceu contigo. criaste uma ideia minha com o pouco que conhecias de mim e foste preenchendo as lacunas à tua medida. foi só isso. e começaste a gostar da ideia que tinhas de mim.

há aqui qualquer coisa entre os dois, não o nego. mas não pode ser gostar. não esse tipo de gostar. aquele que, quando nos zangamos, te faz sentir que terminaste um namoro ou uma relação de longa duração. acho que ambos criámos grande expectativas em relação um ao outro. podemos até ter razão naquilo que esperamos um do outro — e eu quero acreditar que sim — mas para já não passa disto: somos dois, eu aqui e tu aí. o resto virá por acréscimo.


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