Critica por favor o meu elevado ego

30/12/2012

rascunho (12)

prosa, rascunhos — João Oliveira @ 02:32

ela sentiu-o demasiado calado e com um ar pensativo e não pôde evitar perguntar-lhe o que se passava.

«está tudo bem, guilherme?»

ele olhou para ela com cara de quem não queria muito falar, mas não conseguiu deixar de sorrir.

«gostava de ter passado mais tempo contigo este fim-de-semana», começou.

«mas nós estivemos juntos…», interrompeu ela.

«eu sei, não é isso», continuou, com os olhos fixos no olhar dela. «mas é que nós combinámos sempre uma coisa durante a noite e no dia seguinte, quando tentava ligar-te ou saber de ti, tu já estavas sempre com o pedro. e isso chateou-me um bocado».

«isso é tudo ciúmes?», perguntou ela com um sorriso malandro a desenhar-se-lhe na cara.

«epá, se calhar são. eu sou o gajo mais ciumento que conheço».

«desculpa, não sabia que te fazia tanta impressão assim».

«passaram-se coisas entre mim e o pedro que tu não sabes…»

«queres contar-me?»

ele hesitou um bocado. respirou fundo e contou-lhe tudo.

«há uns meses interessei-me por uma rapariga. ela chamava-se joana só que, como eu não estava sempre cá, ele acabou por envolver-se com ela, mesmo sabendo que eu até gostava dela».

voltou a respirar fundo.

«podes achar estúpido, mas nós homens temos uma espécie de código de honra no que a mulheres diz respeito», prosseguiu. «bros before hoes, uma coisa do género primeiro os amigos, depois os engates. e ele cagou nisso. e eu estive imenso tempo sem falar com ele por causa disso. podes achar estúpido, eu não acho. é mesmo uma questão de honra. eu nunca iria meter-me com alguém em quem o pedro estivesse interessado se o soubesse e gostava que ele tivesse feito o mesmo».

«sim, mas o que é que isso tem a ver?»

«espera, já vais perceber», pediu-lhe ele, antes de respirar fundo novamente. estava a custar-lhe mesmo falar daquilo, mais do que imaginara. «e quando me contaste que ele te tinha dito que gostava de ti lembrei-me do que se tinha passado com a joana. depois ele estava sempre contigo quando eu ia ter contigo e até houve aquela vez que tu estavas comigo e ele se ofereceu para te fazer uma massagem, como se eu ali não estivesse. eu sei que às vezes sou um bocado paranóico, mas acho que desta vez não estou a exagerar».

«não fazia ideia, guilherme». ela apertou a mão dele e tentou balbuciar algumas palavras, mas ele continuou.

«para além disso, tu estás sempre a trocar mensagens com ele e depois é claro que eu fico com ciúmes».


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