Critica por favor o meu elevado ego

05/03/2012

ponto alto

prosa — João Oliveira @ 03:53

tenho passado os últimos dias a tentar encontrar as palavras certas para passar para o papel o que tenho e quero dizer sem que as palavras pareçam ocas ou vulgares ou sem sentido mas a verdade é que não há grande coisa a fazer e insistir em torná-las perfeitas mais não vai fazer do que aumentar o sufoco que cresce dentro de mim.

e à medida que os dias vão passando vou tentando conter este impulso e esta vontade e esta urgência de falar contigo todos os dias. e enquanto o faço tento encontrar algo minimamente inteligente para te dizer e tudo — tudo mesmo — serve de pretexto para falar contigo.

e às vezes fico a pensar que só me apetece gritar do nada gosto de ti mas isso não pode ser porque — vejamos bem — não nos conhecemos assim tão bem embora haja pequenos detalhes em ti que me deixam completamente encantado e apenas estivemos juntos à conversa durante cinco breves minutos.

e se não foi mais tempo foi porque eu estava tão nervoso que não parava de pensar “olha só no que tu te vieste meter, joão guilherme!” e não estava à espera que lá estivessem também a tua avó nem o teu pai. por isso despedi-me atabalhoadamente e dei uma desculpa de que nem me lembro neste momento mas deve ter sido qualquer coisa de ridícula porque — sejamos sinceros — que raio tinha eu para fazer de tão importante às sete e um quarto da manhã?

e a questão que se coloca aqui é saber por que razão te digo que esse foi o ponto alto dos últimos tempos. porque como já escrevi ali em cima estava mesmo nervoso e ansioso por que aquele dia chegasse: apesar de ires embora para mais de mil quatrocentos e dezassete quilómetros de distância, era também o dia em que eu ia finalmente conhecer-te, a rapariga com quem gostava tanto de falar, aquela que sempre foi one of the boys e que normalmente só quer um amigo a quem dar aquelas típicas palmadas nas costas.

e isto mais não é do que o meu lado mais romântico — na mais pura acepção da palavra — a vir ao de cima porque depois volto a olhar para o que escrevi e percebo que estar a dizer-te isto se calhar — só se calhar! — não cabe na cabeça de ninguém.

finalmente, quando releio o que escrevi, cresce dentro de mim a vontade de rasgar as palavras escritas num assomo que só abranda quando penso “calma não há-de ser nada”. e é mesmo isso, não há-de ser nada.

Pronto é isto. E muito mais. Mas neste momento pouco mais que preste sai desta caneta e tu já esperaste tempo mais que suficiente para ficares a saber a minha definição de “ponto alto”.

Perguntas tê-las-ás. E eu cá estarei para tas responder assim o queiras.


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