Critica por favor o meu elevado ego

06/12/2010

o preterido

prosa — João Oliveira @ 03:14

respiro fundo. não foste a primeira nem vais ser a última a partir-me o coração. foste apenas mais uma que entrou na minha vida e me deixou quase sem pestanejar. se tudo tinha para dar certo tudo aconteceu da forma errada.

levanto a cabeça, respiro fundo e tento seguir em frente. não vale a pena ficar a lamber feridas, elas vão sarar à medida que vou continuando o meu caminho.

não quero estar sozinho comigo próprio. o silêncio ecoa pelas paredes e tudo me faz lembrar que eu e tu já fomos um. vou deixar-me levar mergulhar na minha depressão e acordar quando o mundo à minha volta estiver irreconhecível e já não se lembrar de mim. pelos menos assim o espero.

nos meus lábios ainda resta o teu sabor, os beijos proibidos e as promessas (em vão?) que fizemos. a ressaca destes oito meses é algo quase insuportável.

não vou deixar-te para trás. sabes que tão depressa não vai haver ninguém como tu.

até lá sabes onde encontrar-me. estou sempre disponível para ti.

como te disse, posso ser o teu melhor amigo ou o teu melhor amante. e apesar de quereres que eu seja apenas o teu melhor amigo não vou deixar de ser teu amante. o melhor ou não não é a mim que compete decidir.


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19 comentários to “o preterido”

  1. Inês Jorge Marques Says:

    abdicar é muito mais dificil… abdicar, muitas vezes, é um gesto de amor…
    ” Nunca amamos alguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. Em suma, é a nós mesmos que amamos”. e quando percebemos isso… abdicamos! podemos é nunca perceber e viver o sonho “eternamente”.

  2. Inês Jorge Marques Says:

    poderia ler esse amor como “esperança”. no fundo, algo que nos faz continuar a olhar o espelho sempre com a mesma motivação, o mesmo desejo e a mesma vontade… sempre com o mesmo amor. mas não passará disso. se passasse, não haveria mais nada. se um dia concretizasse esse amor, ele deixaria de ter o mesmo significado… tenho para mim que sim …

  3. Francisco Amaral Says:

    Não estava a falar dos amores quotidianos, mas do Amor. Este, embora espere sempre que o espelho do outro o reflicta, faz-se muito mais apenas num sentido. O que pode acontecer é que haja vidas onde ele nunca entre.

  4. Francisco Amaral Says:

    Se achamos que não é o sentimento que merece o nosso, então não é o tal amor inabdicável. Abdique.

  5. Francisco Amaral Says:

    Engana-se Inês. Se fosse como diz, a posse era o fim do Amor. Nunca acredite no amor concretizado. Para ele existir, e continuar, o Amor tem que estar acima de todas as contingências, mesmo as desilusões. “Só me interessa aquilo de que não posso abdicar”.

  6. Sofia José Santos Says:

    Sim!..Tristemente verdade!…o privilégio de saber amar não é para todos e o de ser amado na exacta proporção tão pouco!…Mas ainda assim há muitos “Amor”, independentemente da sua natureza. E isso é, sem dúvida, uma boa fonte de inspiração!

  7. Inês Jorge Marques Says:

    o tempo vai mostrando que aquele amor tão profundo, dedicado e intocável não o é … principalmente quando há apenas um lado a alimentá-lo. o problema é o tempo que demoramos a ver isso. às vezes nem sequer chega a acontecer.

  8. Inês Jorge Marques Says:

    como se pode alimentar um amor que sabemos que não tem futuro? sabemos aquilo que sentimos, sabemos o que queremos e sabemos o que precisamos para sermos felizes mas depois… sabemos o que existe do outro lado… e não é o sentimento que merece o nosso. como ?

  9. Francisco Amaral Says:

    … então não era profundo, nem dedicado, nem intocável !

  10. Sofia José Santos Says:

    Não sei que significado tem o “merecer” o corte, mas quem vai a jogo corre sempre todos os riscos. Com o passar do tempo, a ferida fecha, vai doendo menos, cicatriza,ainda que a pele não volte a ser lisa. E essa cicatriz passa a ser parte de nós, não se apaga. Nós somos o nosso proprio acumular de alegrias e tristezas. Mas há sempre espaço para aprender e regenerar simultaneamente.E é nesse espaço que acredito! Não há substituições, mas coisas /pessoas igualmente saborosas. E sim, eu acredito muito nas coisas boas do amor que estão para vir!…E também já aprendi que a modalidade do trapezista único das relações (o que segura todas as pontas, faz toda a ginástica sozinho) não dá bom resultado e vem, geralmente, em boomerang contra si prório. E que bela discussão que aqui vai!!!!:)

  11. Francisco Amaral Says:

    Aprendi já o suficiente para acreditar que é verdade

  12. Francisco Amaral Says:

    Muito esperançoso o texto do MST, mas a comparação que eu faço é com um vidro que se risca. O risco nunca desaparece, a não ser que possamos lá colocar as mesmas (rigorosamente) partículas que de lá saíram.
    Resumindo : se aceitamos esperar que a ferida cicatrize é porque merecemos o corte !

  13. Sofia José Santos Says:

    A ferida fecha, fica uma cicatriz que doi quando qualquer coisa por lá passa, mas cada um retoma a sua vida e muitas, muitas coisas boas se seguem!!!!…
    .Deixa-me partilhar contigo uma frase do Miguel Sousa Tavares que passou a ser minha também:””E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre”. E a vida retoma, recicla-se e assim se saboreia esta doce, tão doce saribanda!!!!…Coisas muito boas seguir-se-ão,com outros sabores e texturas mas igualmente deliciosas, desafiantes e, acima de tudo, que nos surpreendem preenchem!!! 🙂

  14. Francisco Amaral Says:

    “Não foste a primeira nem vais ser a última a partir-me o coração” … Estás enganado. O coração só se parte uma vez. Ele só se concerta com a salvação do amor eterno.

  15. Inês Jorge Marques Says:

    não será utopia acreditar no amor eterno ?

  16. Inês Jorge Marques Says:

    “o coração só se parte uma vez. Ele só se concerta com a salvação do amor eterno” … nem tenho palavras para isto … é sublime*

  17. Francisco Amaral Says:

    Não. Ele existe. É o amor inabdicável. E só podemos falar por nós e nunca pelo outro que amamos.

  18. a outra | Critica por favor o meu elevado ego Says:

    […] meses fui o preterido, o outro, a segunda opção. um mero caso, como já te ouvi dizer. foi complicado, mas aprendi a […]

  19. O que queres? | Critica por favor o meu elevado ego Says:

    […] Não foste a primeira nem vais ser a última a partir-me o coração. Foste apenas mais uma que entr…. […]

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