Critica por favor o meu elevado ego

22/05/2013

horas rotineiras

ensaio, prosa — João Oliveira @ 15:19

no início puxavas por mim, no encanto que o desejo pela mútua descoberta despertava em nós. eu tentava compreender-te até ao mais ínfimo detalhe e tu querias saber se eu seria mesmo capaz de alguma vez desvendar todos os teus segredos.

eras tu o motivo por que acordava todos os dias de manhã, tal era a ânsia de passar o meu tempo contigo. fazias-me correr para ti e o tempo até poder estar novamente contigo passava tão devagar que o nervoso miudinho tomava conta de mim, como um agarrado a ressacar por mais uma dose.

mas o tempo passou e ao fim de dois meses há muito pouco em ti que me cativa e me mantém interessado. deixámos morrer a paixão que em mim despertavas e desde então nada mais foi o mesmo. já não há o desafio e torna-se penoso até estar no mesmo espaço contigo.

o dia caiu numa hora rotineira seguido de outra hora rotineira, num ciclo vicioso, até todas as horas rotineiras se tornarem numa coisa desinteressante, um marasmo e um vazio que nada parece conseguir preencher.

não quero pensar em deixar-te, porque sabes que eu não consigo viver sem ti. mas temos de arranjar maneira de ressuscitar o romance que uma vez me fez sentir mais vivo do que nunca.


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um comentário to “horas rotineiras”

  1. A Chuva Says:

    essa situação que descreves é-me demasiado familiar e é quase impossível de escapar, uma chama uma vez apagada, raramente se volta a acender… Por mais lamentável que tudo isto seja…
    Gosto muito do que escreves e vou continuar a ler-te 🙂

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