Critica por favor o meu elevado ego

19/09/2012

dor

prosa — João Oliveira @ 20:18

não sei o que fazer com esta dor que me vai consumindo lentamente e quase sem que dê por isso. e o que mais dói nem é não saber onde dói porque a derradeira questão é que dói. e dói muito. muito mesmo. mesmo.

dói porque há um buraco que tu deixaste quando decidiste levantar-te e bater com a porta. porque estávamos a construir algo bonito. ou assim eu pensava. e esse engano é uma dor dilacerante que aperta o coração quando relembro os escassos mas largos meses que estivemos juntos antes de partires.

dói porque sei que não devo insistir em querer ficar contigo, mas quero insistir. a dor é ainda maior quando toca na ferida aberta, que não quer sarar. e dói ao ponto de tornar-se insuportável saber que fomos feitos um para o outro mas tu estás demasiado cega pela dor que também te consome mas te adormece ao mesmo tempo, ao ponto de deixares que te tolde o pensamento e te impeça de veres o caminho que te leva para longe de toda essa dor.

e não há analgésico suficientemente analgésico que permita vivermos as nossas vidas separados pelo nosso orgulho, a nossa teimosia e as nossas dores. há aqueles que aliviam, adormecem, mas deixam sempre um vestígio doloroso a lembrar-nos que a dor está ali e que não vai embora, por muito que queiramos. e também dói porque queremos tanto que a dor vá embora que dávamos tudo — ou quase tudo — para que deixássemos de a sentir.

a minha dor consome-me. tanto. mas não me consome da mesma maneira que a tua dor te come por dentro, deitando por terra todas as tuas certezas e expondo as tuas fraquezas à dor maior que é a de não saberes o que é certo.

já deixei de dar importância à minha dor. ela vai acabar por enfraquecer e morrer. não vai voltar. é uma questão de tempo. a minha dor é outra. é a dor de saber que estás refém da tua própria dor. e eu continuo pacientemente à espera que esqueças e ultrapasses o que te dói e descubras finalmente que o passado dói mas só dói se tu deixares que doa.


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