Critica por favor o meu elevado ego

29/04/2011

confissões (2)

prosa — João Oliveira @ 01:41

passa pouco das seis da manhã e tu ainda não me saíste da cabeça. o sol está prestes a raiar e a romper a noite escura mas isso não abala o fervor que me tem tomado nestas últimas noites. é incrível como em tão pouco tempo ganhaste tanta importância e tanto significado.

já passei por muito neste quase quarto de século em que me conheço. relembro facilmente os melhores momentos por que passei mas por alguma razão são sempre as más experiências que me assolam e me deixam neste estado melancólico no dia-a-dia.

sei que se passa o mesmo contigo.

disseram-me um dia que precisava de deixar para trás todas estas frustrações que quase me impedem de ser feliz. foi das coisas mais acertadas que me disseram nos últimos tempos. e sabe deus como me esforço todos os dias por fazê-lo.

sei que também tentas fazer o mesmo.

apesar de tudo parecer difícil no caminho que tenho de percorrer a bem ou mal, tenho confiança em mim. mais sei que consigo ultrapassar todas estas assombrações que insistem em fazer parte da minha vida. já comecei a fazê-lo mas é todo um processo que demora o seu tempo. as feridas estão a sarar.

também sei que estás a fazer o mesmo.

ainda que não acredites no teu valor ou na tua força para levar o que é teu e deixar para trás o que te assombra mereces muito mais do que aquilo por que tens passado.

sei que não gostas que eu te leia como a um livro aberto mas se o faço é porque me preocupo mesmo contigo e porque és importante para mim. mas acima de tudo é porque me deixas fazê-lo.

e apesar da nossa falta de confiança nos outros para nos expormos ou mostrarmos as nossas fraquezas sabemos mais um do outro do que qualquer outra pessoa. e isso assusta-nos. ao mesmo tempo faz-me sentir seguro porque sei que há alguém que apesar de não ter todas as respostas para mim tem todos os meus segredos.

embora eu também não tenha todas as respostas nem todos os teus segredos tenho em mim a capacidade de te ajudar a trilhar esse teu caminho. porque eu já aí estive, já por aí passei. daí conseguir saber aquilo por que estás a passar e as respostas surgirem com naturalidade.

mas nunca te esqueças: acredita em mim, lembra-te de ti.

lisboa, 12 de Abril de 2011


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