Critica por favor o meu elevado ego

18/02/2014

podes parar

poesia — João Oliveira @ 15:49

sabes que aquilo que está a matar-te
é isto
que vais tentando transformar em arte
e que não pode ficar por dentro
a devorar-te
o reflexo de ti próprio a torturar-te
é mais forte do que tu,
não consegues controlar-te
e refugias-te nesse teu mundo
à parte
longe dos teus fantasmas
sempre a gritar-te
escondidos na sombra
à espera do desastre
e vais sendo assaltado
pelas memórias
pedaços de velhas histórias
derrotas
daquelas batalhas inglórias
versos rasgados
sem dedicatórias
a tua mente a pregar-te partidas
nascidas da tua alma
dorida

podes parar, deixar de pensar
de sentir e resistir
porque não estás a conseguir
ser
tudo o que podes
tudo o que consegues
tudo o que queres
ser

porque agora tudo perdeu o sentido
mas continua
vai em frente
de queixo erguido
ergue-te dos destroços
do teu mundo destruído
onde jazes
prostrado
e vencido
queimado por dentro
e esquecido
abandonado
e perdido
porque a alma dorida
e o corpo sovado
doem dos maus tratos
por que têm passado
das guerras
em que foste derrotado
que te deixaram nesse torpor
embriagado

podes parar, deixar de pensar
de sentir e resistir
porque não estás a conseguir
ser
tudo o que podes
tudo o que consegues
tudo o que queres
ser


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