horizon
daft punk – horizon
random access memories (japan bonus track)
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no início puxavas por mim, no encanto que o desejo pela mútua descoberta despertava em nós. eu tentava compreender-te até ao mais ínfimo detalhe e tu querias saber se eu seria mesmo capaz de alguma vez desvendar todos os teus segredos.
eras tu o motivo por que acordava todos os dias de manhã, tal era a ânsia de passar o meu tempo contigo. fazias-me correr para ti e o tempo até poder estar novamente contigo passava tão devagar que o nervoso miudinho tomava conta de mim, como um agarrado a ressacar por mais uma dose.
mas o tempo passou e ao fim de dois meses há muito pouco em ti que me cativa e me mantém interessado. deixámos morrer a paixão que em mim despertavas e desde então nada mais foi o mesmo. já não há o desafio e torna-se penoso até estar no mesmo espaço contigo.
o dia caiu numa hora rotineira seguido de outra hora rotineira e mais outra hora rotineira, num ciclo vicioso, até todas as horas rotineiras se tornarem numa coisa desinteressante, um marasmo e um vazio que nada parece conseguir preencher.
não quero pensar em deixar-te, porque sabes que eu não consigo viver sem ti. mas temos de arranjar maneira de ressuscitar o romance que uma vez me fez sentir mais vivo do que nunca.
às vezes fico a pensar
como seria o teu beijo
deixo-me a adormecer
e deixo a mente divagar
como seria satisfazer o desejo
como seria finalmente saber
hoje quero falar com o estimado leitor. ou, na gíria, com o estimado. não o leitor que vem ao critica por favor o meu elevado ego — e é sempre mais do que bem-vindo — porque gosta de ler as linhas de parca qualidade que aqui escrevo, antes àquele que vem movido pelo ódio e pela mesquinhez.
o estimado tem várias faces e muitas delas são até conhecidas desta praça. muitos são os que se esmeram por tentar mandar vir, mas não conseguem apontar uma falha que seja. poucos são, aliás, os que ousam ser frontais, apesar do pedido que é reiterado no cabeçalho deste mesmo espaço. porque a verdade é que toda a gente odeia, não suporta e abomina este elevado ego, mas a verdade é que vêm cá todos parar e toda a gente acaba por abrir a boca para deitar cá para fora um chorrilho de impropérios antes que entre mosca.
abençoados ignorantes com tiques de gente superior e cheia de desprezo para distribuir que aqui param que só sabem ler e só sabem ver o que querem ler e o que querem ver. não fora o ódio que os cega e não fariam tanta figura de urso. é preciso ensinar tudo, mostrar tudo, porque a esta gente não se pode pedir demasiado para não se cansarem ou esquecerem como se respira.
falam muito incomodados deste elevado ego como se fosse uma coisa má, focam-se no elevado ego sem perceber — ou sem querer perceber — que antes, mesmo antes, está um por favor que faz toda a diferença. porque falam deste elevado ego como se fosse um enorme filho da puta. mas como é que os filhos da puta com este elevado ego pedem alguma coisa por favor? ainda para mais, uma crítica que seja? é que parar um pouco e usar os dois dedos de testa com que foram abençoados para pensar nunca doeu.
porque este título é mais do que um conjunto de letras e palavras, é algo que já faz parte de mim. não é defeito, é feitio. já aqui foi afirmado que os elevados egos não estão, não podem estar, acima da crítica. só não percebe quem não quer.