Critica por favor o meu elevado ego

25/11/2016

Não sei bem

poesia — João Oliveira @ 05:18

Não sei bem
onde é que tu terminas

Perdi a noção
das minhas próprias fronteiras
e dos meus limites

Porque a tua indiferença
destrói-me

O teu silêncio
crucifica-me

E esta distância
mata-me.


17/10/2016

Outra vez

poesia — João Oliveira @ 01:32

Tu nunca vais ser ela
Eu nunca hei-de ser ele
E nós nunca seremos quem já fomos

Mas se eu quisesse que tu fosses ela
Nunca a teria deixado
E se eu quisesse ser ele
Não teria roubado o teu coração
E ter-te-ia deixado com quem estavas

Mas a maior angústia
é
que
nós
nunca
seremos
nós

outra vez.


14/10/2016

Destroçado

manifesto — João Oliveira @ 17:13

Ela deixou-me desfeito, destroçado. Acordou um dia decidida de que já não estava bem onde estava e partiu. Sem dizer nada, sem um último beijo ou umas últimas palavras escrevinhadas à pressa num papel amarrotado antes de bater com a porta. Nada.

E deixou-me assim, devastado pelo abandono, pela ausência e pela solidão.

E percebo hoje, à distância de um tempo que ainda não consigo medir, que, com ela, eu era quem sempre quis ser. Ao lado dela, eu era a melhor versão de mim mesmo. E eu quero voltar a ser melhor pessoa.

Quero voltar a ser quem já fui.

Destroçado

Nunca fui um óptimo namorado, mas fui aprendendo a ser melhor com o tempo. As relações servem também para isso. Fui sendo cada vez melhor companheiro, atento aos sinais, preocupado com os detalhes, sempre à procura da palavra certa a dizer no momento em que era mais necessária.

Fui dando sempre mais de mim e, ao dar todo o meu ser, fui crescendo. Em mim, com ela, em nós.

Tudo começou devagar, a medo. Cada um trazia a sua bagagem e cada um o receio de mostrá-la. É assim que nascem muitas relações. Esta começou com a promessa de que tudo iria acontecer devagar, até porque nenhum de nós estaria à procura de algo muito, ou demasiado, sério. E, a princípio, assim foi.

Tão devagar que nem na primeira noite, à porta do teatro, me deixou que a beijasse. E eu respeitei-a (ainda) mais por isso.

Buongiorno Principessa

Tudo corria bem. Fazíamos planos a dois e conseguíamos estar juntos, apesar dos quilómetros que nos separavam. Aprendi desde cedo que nada, nem mesmo a distância, consegue separar-nos daquilo que mais queremos.

E eu fazia esses quilómetros de bom grado, o desejo de estar com ela era o meu combustível. Estávamos bem e, olhando em retrospectiva para as (poucas) fotografias que restaram, vejo agora que era uma altura em que estava mesmo feliz. Era, lá está, a melhor versão de mim próprio que já conheci.

agá grande

Mas, quando crescemos juntos, também os sentimentos evoluem para algo mais, uma coisa que deixou de ser a tímida atracção inicial de quem ainda está a conhecer-se. E por vezes, demasiadas vezes, senão quase sempre, crescem depressa demais. E foi isso que nos precipitou para o fim.

De repente, sem dar por ela, estávamos apaixonados. Há que não ter receio das palavras, ou dos sentimentos.

Estávamos apaixonados.

apaixonados, sem os advérbios de modo de que os escritores da moda tanto gostam de usar e abusar, aqueles que embelezam as palavras, que em nada beliscam o sentimento mas que ajudam a vender livros.

Apenas apaixonados, mesmo quando queríamos levar as coisas devagar, sem que aquilo — o quer que seja que aquilo fosse — que tínhamos entre nós se tornasse em algo demasiado sério.

É esta a beleza dos sentimentos humanos e que faz deles algo tão assombroso. São tão imprevisíveis que muitas vezes nascem, crescem e morrem sem que nos apercebamos de que viveram em nós.

Mas que fazemos quando nos magoaram antes, nos abriram o peito a sangue frio, rasgaram a alma sem dó nem piedade e levaram um pouco de nós consigo? O que fazemos quando percebemos que regressámos a esse lugar?

O primeiro instinto é protegermo-nos.

Não sabemos se o outro sente o mesmo. Não sabemos se a jornada que ambos começámos juntos nos levou, de mãos dadas, ao mesmo lugar. Não sabemos. Não sabemos se queremos saber. Não sabemos se queremos arriscar. Há o medo de não vermos o sentimento correspondido e de voltarmos a perder o chão. A queda é demasiado dolorosa para se arriscar dar o passo por algo que não temos a certeza se existe do outro lado.

O que faríamos se não tivéssemos medo?

Ela apercebeu-se onde estava primeiro do que eu.

Percebeu que estava a perder o controlo e não quis arriscar falar. Não quis saber se eu sentia o mesmo. Com o medo com que não conseguiu lidar, ou conter, decidiu que já não estava bem onde estava e partiu.

Compreendo a escolha que tomou e o porquê de o ter feito. Não consigo censurá-la por ter escolhido esse caminho, embora eu tivesse feito as coisas de maneira diferente.

Afinal de contas, quem melhor para nos proteger do que nós mesmos?

Ela não sabia que eu sentia, ainda sem o saber, o mesmo. Não sabia que eu iria sempre protegê-la, dos seus medos e das suas inseguranças. Sempre, sem hesitar.

Destroçado

É que também eu estava apaixonado, sei-o agora. E eu continuo irremediavelmente apaixonado. Agora sim, ouso dizê-lo, com todos aqueles advérbios de modo de que os escritores da moda tanto gostam de usar e abusar, aqueles que embelezam as palavras, que em nada beliscam o sentimento mas que ajudam a vender livros.

(continua…)


13/10/2016

xis (3)

manifesto — João Oliveira @ 02:49

Ao fim de quase sete meses e mais de 60 revisões, acho que posso dar o texto que mais me custou a escrever nos últimos meses como finalizado. Tive de arrancar cada palavra de dentro de mim como se fosse a última, num exercício de cicatrização e de reconstrução constante, mas que está longe de estar terminado.

Poucos são os que conhecem esta história, menos ainda os que a quiseram conhecer ao longo dos últimos meses.

Há uma célebre citação atribuída a Winston Churchill (jogo pelo seguro e escrevo que lhe é atribuída, porque não sei de todo se é mesmo dele ou não) de que gosto muito e que reza assim: If you’re going through hell, keep going. É isso que tenho feito nos últimos meses, anos até.

É uma caminhada que, estóico, tenho feito sozinho. Só faria sentido fazê-la sozinho.

Alguém que já considerei minha amiga disse-me, um dia, que os meus textos, naquela altura, falavam praticamente do mesmo. Sem deixar que lhe respondesse, a M. respondeu à sua própria observação: Compreendo. Tens de purgar esse sentimento de dentro de ti. Só depois disso serás completamente livre.

Este texto, que não publico hoje porque quero lê-lo, de manhã, com a pesada sobriedade da luz do dia, é também um pouco disso: uma purga do que tenho guardado cá dentro e que tanto tem custado a sair.

Não fiquei, contudo, completamente livre e foi neste ponto que a M. falhou na sua observação. Nunca se pode ser completamente livre de um amor passado, correspondido ou não, mal resolvido ou não.

Posso não estar completamente livre da xis, mas estou mais livre. E com isso mais leve. E também um pouco mais feliz.

Para já, isso basta-me.


28/09/2016

Momentos

prosa — João Oliveira @ 00:48

A vida leva tempo. E o tempo não se esgota, antes renova-se, se para isso houver vontade. Não vale a pena correr contra ele ou tentar apressá-lo, cada tempo tem o seu momento. E os momentos vivem de sentimentos, que esgotam com o tempo ou florescem no momento certo. São os sentimentos que dão a beleza à vida, aquela que muitas vezes não temos tempo para apreciar, e quando damos por isso o momento que era certo já passou. Foi esse o momento.


29/06/2016

Saudade (2)

prosa — João Oliveira @ 02:57

Saudade (2)

(continuar a ler)


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