Critica por favor o meu elevado ego

27/07/2014

Confissões (8)

confissões — João Oliveira @ 15:55

Confissões (8)

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18/07/2014

poema e canção (3)

exercício, poesia — João Oliveira @ 20:41

fiz de ti poema e canção
em tarde de inverno e noite de verão
fiz-te nascer do sol e poente
noite de insónia demente

foste tudo a partir do nada
lua cheia toda iluminada
foste fonte de vida
reacender da esperança perdida

és razão sem porquês
algo que sentes mas não vês
história de final triste
porque o amor já não existe

és razão sem porquês
algo que sentes mas não vês
história de final triste
porque o amor já não existe

fiz de ti o meu pecado predilecto
falta de perdão incerto
fiz-te queda e abismo
razão de todo o altruísmo

foste versos para respirar
livro escrito ainda por desfolhar
foste página em branco por escrever
linhas vazias, sentimentos por preencher

és razão sem porquês
algo que sentes mas não vês
história de final triste
porque o amor já não existe

és razão sem porquês
algo que sentes mas não vês
história de final triste
porque o amor já não existe

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02/07/2014

10 anos sem Sophia

imagens, poesia — João Oliveira @ 14:10

sophia

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23/06/2014

Condenados

apontamento — João Oliveira @ 21:03

Ela continua apaixonada por ele. Ele não tem a certeza do que ainda sente por ela. Com a distância, estão condenados a passar pela vida sempre com a dúvida de não saber o que poderiam ter sido.


16/06/2014

João

manifesto — João Oliveira @ 23:41

Há notícias que chegam assim, de rompante, nem pedem licença. Dão-te um murro no estômago e deixam-te na tua miséria, sem pena nem comiseração.

Nenhum pai merece levar um filho a enterrar. Nenhuma mãe merece levar um filho a enterrar.

O João era um daqueles miúdos traquinas, super reguilas, com uma resposta na ponta da língua para dar sempre que era chamado à atenção. Sempre alegre, irrequieto e à procura da melhor oportunidade para fazer asneiras. Daquelas asneiras inocentes que fazemos quando estamos a crescer. Às vezes dava vontade de ter a idade dele outra vez e ir fazer asneiras com ele.

Eu vi o João a crescer.

A primeira memória que tenho dele é em plena praia do Palheirão, numa actividade regional de escuteiros. Eu teria os meus 19 anos, ele não teria mais de oito ou nove. Era a minha primeira actividade enquanto responsável pelos miúdos.

A meio da tarde, no pico do calor e enquanto todos os outros estavam a fazer workshops de origami e outras coisas que nunca me interessaram nem aos miúdos, peguei em sete ou oito e fomos para o meio do mato. Quatro de cada lado, uma pinha em cada mão e começámos ali a derradeira guerra a jogar ao mata e tentar ver quem era o melhor atirador. Eu tentava não esforçar-me muito e estivemos horas a fio ali, naquela felicidade pura que apenas uma pinha na mão e um alvo a abater conseguiam dar-nos.

Muitos apontar-me-iam a irreponsabilidade que terá sido essa tarde e eu aceitaria essa crítica de bom grado. Mas eu sou da escola — costumo chamar-lhe a velha escola — em que aprendemos com os mais velhos e transmitimos esses ensinamentos aos mais novos. E foi isso que sempre quis fazer com os “meus” miúdos.

Sou do tempo em que íamos para a rua brincar, no meio do pó, em que caíamos ao chão, esfolávamos o joelho e levantávamo-nos logo de seguida, prontos para outra. Lembro-me de ir com chefes para o meio da serra, apenas com mochila, carta topográfica e bússola não durante dias e, a meio de um raide, perder horas preciosas de luz em guerras com pinhas, fungos e tudo o que aparecesse à mão.

Cresci assim, essas brincadeiras ajudaram-me a enrijar mais depressa, a ser o homem que vou sendo hoje. E acredito que ele fará parte da última geração que cresceu na rua, longe das consolas e das redomas que hoje em dia se colocam em redor das crianças. E se muito nos divertimos nessa tarde, melhor me senti com o sorriso de felicidade deles no fim do dia. Assim valia a pena.

Só assim valia a pena.

Entretanto ele foi crescendo e a última lembrança que tenho dele já ele era explorador, num acampamento de secção. Fomos para Serpins e lembro-me de ele não querer ajudar desmontar a tenda. Então fui eu ajudá-lo. Enquanto ele estava dentro da tenda, tirámos estacas, ferros e aprumos e deixámo-la cair em cima dele. Depois, quase dez a fazer moche em cima dele. Éramos um agrupamento que gostava de fazer moches. Por tudo e por nada. Tenho fotos desse momento, mas não me lembro onde as guardei. Ficam pois as memórias.

Eu vi o João a crescer.

E apesar dos trabalhos em que ele se metia, não trocava nada por isso. Não era como um filho, antes como um sobrinho, um afilhado ou um irmão mais novo que fui vendo a crescer. Ultimamente, ainda que à distância. Ele era um dos “meus” miúdos.

Não fui a sua principal influência e muito menos fui sempre a mais positiva, longe disso. Se muitas vezes quis voltar a ter a idade dele e ir fazer asneiras com ele, várias vezes o fiz. Mas gosto de saber que fiz parte do seu percurso.

E se muitas vezes volto a encontrar alguns desses “meus” miúdos que vi a crescer com uma alegria imensa misturada com a terrível assombração de perceber o quanto eles já cresceram, o João era das pessoas que eu mais gostava de ver.

Agora já não vou ver o João a crescer. O João desapareceu. Fica a memória e fica esse sentimento de que nenhum pai e nenhuma mãe merece levar um filho a enterrar. Nunca.


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