Critica por favor o meu elevado ego

05/07/2018

Adormeço

poesia — João Oliveira @ 00:48

Adormeço
com a janela a filtrar as luzes da cidade lá fora
ainda assim vejo nitidamente
o teu rosto desfocado pela incerteza do amanhã

O coração suaviza
finalmente
a batida acelerada
com que compassas o meu andar apressado

É assim a vida

Um atropelo de vultos desconhecidos
situações inesperadas
e afectos negados a paixões desregradas


07/04/2018

destino

música, poesia, vídeo — João Oliveira @ 16:40

a vida é

o sítío onde estamos
e o sítio onde queremos estar

no entretanto
a luta diária para lá chegar

(continuar a ler)


29/12/2017

É fodido

prosa — João Oliveira @ 22:39

É fodido quando nos apercebemos que estamos apaixonados por quem parece ser a pessoa certa, mas na altura errada – e toda a gente parece sê-lo em algum ponto determinado das nossas vidas.

Aquilo que deveria ser algo tão bonito acaba por deixar-nos completamente miseráveis, de rastos, consumidos por dentro pela dúvida de saber se é correspondido ou não, se é apenas imaginação, e pelo receio de arriscar dar um passo no caminho que poderia levar-nos à tão ambicionada felicidade.

É fodido sabermos que essa felicidade está ali tão perto, tão tangível que quase conseguimos senti-la, mas haver tanta coisa fora do nosso alcance, imprevistos que não conseguimos controlar, pedras (quase) intransponíveis nesse caminho que se nos afigura demasiado sinuoso.

É fodido ter estas e tantas outras palavras a queimar-nos a garganta, a tropeçar na língua, a pesar-nos no coração.

É fodido não sabermos o que fazer.


17/08/2017

Ainda não acabei

música, poesia — João Oliveira @ 14:51

Tu não sonhas quem sou
Tu não vês nem metade
Só queria cantar
Já não sei bem porquê
E perguntas então
Porque não pões um fim
nessa vida sofrida?
A resposta tem graça
É que eu adoro esta vida
Ainda não acabei

(continuar a ler)


01/05/2017

Destroçado (2)

manifesto — João Oliveira @ 03:31

E eu corri atrás dela. Sabe Deus o que corri atrás dela. Procurei-a para ter uma resposta, mas sempre encontrei o silêncio dela. Procurei-a, procurei dentro de mim, mas ela não quis dar-me as respostas por que eu tanto ansiava, deixando-me na angustiante dúvida de não saber se o mal estaria em mim.

Continuo hoje, à distância de um tempo que ainda não consigo medir, nem sei se quero conseguir medir, sem essas respostas que sempre quis saber.

Ela não me deixou beijá-la à porta do teatro na noite em que a conheci, porque ainda estava com alguém, e eu respeitei-a mais por isso. Mas se ela conseguiu fazer de mim a melhor versão que já me conheci, o abandono, a ausência e a solidão a que me votou quando decidiu abandonar-me fizeram-me aquilo que hoje sou: uma sombra do que já fui, amargurado e à procura de voltar a ser quem já fui.

Perdi a fé em mim e nas pessoas. No amor.

Ela deixou-me sem uma palavra e tem sido nesse silêncio que tenho vivido desde então. Não há maior traição a alguém que amamos do que votá-los ao esquecimento. Quem trai não sabe, não imagina, o mal que está a causar na outra pessoa. Destrói as suas perspectivas no amor, as relações futuras, amorosas ou não, e, acima de tudo, a sua auto-estima, a confiança em si próprio e a sua paz interior.

É isso.

Desde que me deixou, decidi encher a cabeça, tentar não pensar (tanto) nela. Tenho andado a viajar, a conhecer novos sítios e novas pessoas, a experimentar novas coisas, a ocupar o tempo e, mais importante que isso, a mente. Tento não me lembrar dela, recordar que um dia dormimos na mesma cama, que era com ela, sei-o hoje, que eu queria partilhar o resto da minha vida.

Mas, tal como ela decidiu proteger-se, ao perceber que estava a apaixonar-se por alguém que não sabia se sentia o mesmo, também eu acabei por fazê-lo. Removi-a da minha lista de amigos no Facebook. Sinal dos tempos, eu sei, que há-de fazer-se? Confesso que, se fosse hoje, teria feito a coisa de outra maneira, mas, longe da vista, longe do coração, pensava eu. Acreditava eu, ingénuo, de que seria apenas uma questão de tempo até conseguir esquecê-la e seguir em frente.

Enganei-me. Longe da vista, longe do coração? Tudo tretas. Estava, sei-o agora, profundamente, inesperadamente, irremediavelmente apaixonado.

É que há momentos em que somos apanhados desprevenidos e com a guarda em baixa. É nesses momentos em que ela decide aparecer-me, apoderar-se da minha mente e vencer-me. Impotente, sucumbo à sua presença, procurando perceber porque ainda deixo que isso acontece. Talvez seja por isso que bebo cada vez mais quando saio à noite, quase ao ponto da inconsciência.

Talvez? É claro que é por causa dela. Uma tentativa desesperada de a manter à distância, longe da sanidade por que tanto luto. São estes os pequenos, poucos, momentos em que ela está lá longe, empurrada para o fundo do meu sub-consciente, onde permanece, uma presença a pairar, à espera da melhor altura para sair. É por causa disto que eu sempre te disse que eras mais forte do que eu.

É por isso que, ainda hoje, me arrepio sempre que olho para a fotografia que ainda guardo tua.

Já ultrapassei grandes amores que terminaram. Já sarei feridas provocadas por um coração, o meu, partido. Não é a primeira vez que passo por isto, por isso não é algo que me é, de todo, desconhecido. Mas, a esta distância toda, não consigo entender porque está a custar tanto. Não sei contar o tempo que passou desde que ela me deixou, tornou-se um exercício demasiado doloroso para enfrentar, simplesmente não consigo.

Ela deixou um buraco no meu coração, os meus demónios encontraram nele abrigo e é dele de que agora se alimentam.

(continua…)

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